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Consignação de veículos no RENAVE: o que mudou e como se adequar
Com a Resolução CONTRAN nº 1.026/2026, a consignação de veículos passou a fazer parte da escrituração obrigatória no RENAVE: o carro deixado na loja para venda precisa de um contrato eletrônico de consignação registrado no RENAVE, assinado digitalmente pela loja e pelo dono, antes de qualquer venda ou intermediação. Todo registro é feito por meio de uma integradora autorizada pela SENATRAN.
Data da última revisão: · Guia escrito pela CarHand Tecnologias com base no texto oficial da resolução.
O que mudou em 3 pontos
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Contrato eletrônico registrado antes da venda
A consignação deve ser formalizada por contrato eletrônico registrado no RENAVE, e é vedada a venda ou intermediação comercial sem esse registro prévio (art. 20, § 1º). O contrato segue modelo padrão da SENATRAN (art. 20, § 3º).
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Tudo passa por uma integradora autorizada
Entrada, saída, transferência e consignação são registradas no RENAVE por meio de integradora autorizada pela SENATRAN (art. 5º, III). Empresas que fornecem sistemas de gestão para lojas de veículos não podem ser integradoras (Anexo).
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Quem assina a ATPV-e é o dono do carro
A transferência do consignado só ocorre depois que o proprietário consignante assina a autorização de transferência em meio digital (ATPV-e). Sem a assinatura em 30 dias, a venda é cancelada (art. 20, §§ 6º e 7º).
O que é o RENAVE
O RENAVE (Registro Nacional de Veículos em Estoque) é o sistema eletrônico federal que registra a entrada e a saída de veículos, novos ou usados, do estoque dos estabelecimentos de que trata o art. 330 do Código de Trânsito Brasileiro. Ele é um subsistema do Renavam, mantido pela SENATRAN, e é o único meio eletrônico admitido para substituir os livros de registro de entrada e saída (Res. 1.026/2026, art. 1º, §§ 1º e 3º).
O RENAVE foi instituído pela Resolução CONTRAN nº 797/2020, alterada pela nº 818/2021. A Resolução CONTRAN nº 1.026, de 26 de junho de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 30/06/2026, instituiu o RENAVE em novo formato nacional, revogou as duas anteriores e alterou a Resolução nº 807/2020 (arts. 34 e 35). Ela entrou em vigor na data da publicação (art. 36).
Quem é obrigado
A resolução vale para o estabelecimento: pessoa jurídica que compra e vende, desmonta, reforma ou recupera veículos automotores, novos ou usados (art. 2º, I). A adesão ao RENAVE é pedida no sistema Credencia, e o objeto social e o CNAE principal precisam ser compatíveis com compra e venda de veículos novos ou usados (art. 7º). Para instituições credoras, a adesão é facultativa (art. 7º, II).
Compete ao estabelecimento registrar no RENAVE todas as operações de entrada, saída, transferência entre estabelecimentos e consignação de veículos destinados à venda, por meio de integradora autorizada (art. 5º, III). Para quem vende veículos novos, a adesão é obrigatória em todo o país (art. 7º, § 2º).
- Certificado digital e-CNPJ padrão ICP-Brasil válido: com certificado vencido, suspenso ou revogado o acesso é bloqueado (arts. 10 e 30).
- Emitir a NF-e correspondente a cada operação registrada, compatível com o registro no RENAVE (art. 5º, VI). No CarHand, a loja emite essas notas no módulo fiscal, e a chave segue para o registro no RENAVE.
- A resolução ainda cita livros de registro físicos aprovados pelos Detrans (art. 4º, V). Como fica a transição do estoque de usados no seu estado, confirme com o Detran, seu despachante ou sua integradora.
O que muda na consignação: a operação passo a passo
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Antes de tudo: loja aderida e integradora contratada
A loja precisa estar aderida ao RENAVE (pedido no sistema Credencia), com e-CNPJ ICP-Brasil válido, e ter informado o sistema de integração da integradora autorizada que escolheu.
Base: Res. CONTRAN 1.026/2026, arts. 5º, II; 7º; 8º; 10 e 30.
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Entrada do veículo consignado
Veículo consignado é o entregue pelo proprietário à loja para venda, por contrato eletrônico de consignação, sem transferir a propriedade. Confira pendências antes: o RENAVE só registra veículo sem restrição impeditiva ou débito não liquidado.
Base: Res. CONTRAN 1.026/2026, arts. 2º, VIII, e 11, § 2º.
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Contrato eletrônico de consignação
O contrato segue o modelo padrão da SENATRAN (cláusulas fixas e campos parametrizáveis) e é assinado pelo sistema de integração: a loja com e-CNPJ; o consignante pessoa jurídica com e-CNPJ; o consignante pessoa física com assinatura eletrônica qualificada ou avançada.
Base: Res. CONTRAN 1.026/2026, art. 20, §§ 2º e 3º.
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Registro no RENAVE antes de vender ou intermediar
É vedada a venda ou intermediação comercial sem o registro eletrônico prévio. Validado o contrato, começa a operação de venda e o RENAVE inclui a anotação "veículo consignado em processo de transferência". A resolução não diz se anúncio conta como intermediação; por prudência, registre antes de anunciar.
Base: Res. CONTRAN 1.026/2026, art. 20, §§ 1º e 4º.
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Nota fiscal de cada etapa
A loja emite a NF-e correspondente às operações registradas, inclusive a consignação, compatível com o registro no RENAVE. O tipo de nota e o CFOP de cada etapa devem ser definidos com o seu contador. Com o módulo fiscal do CarHand, essas NF-e (entrada em consignação, venda e devolução) são emitidas no próprio sistema, e o módulo RENAVE usa a chave delas.
Base: Res. CONTRAN 1.026/2026, art. 5º, VI.
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Venda e ATPV-e assinada pelo dono
A transferência do consignado só ocorre depois que o proprietário consignante assina a autorização para transferência em meio digital (ATPV-e). Se ele não assinar em 30 dias, ou cancelar o contrato, a venda é cancelada e a anotação é baixada. O comprador depois providencia a transferência, o licenciamento e o emplacamento no Detran.
Base: Res. CONTRAN 1.026/2026, art. 20, §§ 5º, 6º e 7º.
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Saída sem venda: devolução ao proprietário
Qualquer das partes pode cancelar o contrato antes da assinatura da ATPV-e (e, se houver financiamento com alienação fiduciária, antes da formalização do contrato de financiamento). O cancelamento é comunicado na hora à loja, ao dono e à financeira, se houver. A loja emite a NF-e de devolução de mercadoria em consignação, registra a saída no RENAVE e devolve a posse do veículo.
Base: Res. CONTRAN 1.026/2026, art. 20, §§ 8º, 9º e 10.
Pontos de atenção
- Enquanto for consignatária, a loja responde pelas infrações de trânsito cometidas com o veículo, até a saída por venda ou distrato (art. 20, caput).
- Em falência ou liquidação da loja, os consignados não entram na massa falida: os contratos são cancelados no RENAVE e a posse volta ao dono (art. 21, § 1º).
- Falta, atraso ou fraude na escrituração, ou recusa de exibi-la à fiscalização, sujeita a loja à multa de infração gravíssima do art. 330, § 5º, do CTB, aplicada pelo Detran (art. 25). A reincidência pode levar ao cancelamento da adesão ao RENAVE (art. 26).
Papel da integradora e por que o sistema de gestão não pode ser a integradora
Integradora é a empresa privada, contratada pela loja, que desenvolve e opera o sistema de integração com o RENAVE (art. 2º, IV). Ela precisa de autorização da SENATRAN e de sistema homologado (arts. 3º, VI, e 6º). A escolha da integradora é prerrogativa da loja, que responde pela contratação (art. 8º, § 2º), e a integradora responde solidariamente quando a infração decorrer de ação ou omissão dela (art. 25, § 2º).
Para evitar conflito de interesses, o Anexo da resolução lista quem não pode ser integradora — entre outros, instituições financeiras, seguradoras, leiloeiros e as "empresas provedoras de sistemas de gestão de concessionárias, de lojas de veículos, de montadoras e de importadoras de veículos". Ou seja: o sistema de gestão da loja (DMS) pode se conectar à integradora, mas não pode fazer o registro no lugar dela.
- Os preços dos serviços de integração seguem valores mínimos e máximos fixados pela SENATRAN, e a integradora deve divulgá-los (art. 32).
- É vedado condicionar o acesso ao RENAVE à contratação de outros serviços (art. 32, § 3º).
- O mesmo sistema de integração deve ser usado durante todo o ciclo de registro de um veículo, salvo troca de integradora pela loja (Anexo).
Checklist de adequação para a loja
- Certificado digital e-CNPJ (ICP-Brasil) válido, com a data de vencimento na agenda de alguém da loja.
- Adesão ao RENAVE concluída no Credencia (ou pedida por meio da integradora).
- Integradora autorizada pela SENATRAN contratada — pergunte se ela já está regularizada no novo formato nacional (art. 33, § 2º) e quanto cobra por operação.
- Confirmar com a integradora se o contrato eletrônico de consignação já está disponível e como o consignante pessoa física assina.
- Ajustar a captação: pegar CPF/CNPJ e contato do dono do carro para ele assinar o contrato e, depois, a ATPV-e.
- Regra interna: consignado só é anunciado e negociado depois do contrato registrado.
- Alinhar com o contador as NF-e de entrada em consignação, venda e devolução (no CarHand, essas operações fiscais já vêm cadastradas para o contador revisar e aprovar).
- Definir quem acompanha o prazo de 30 dias da assinatura da ATPV-e pelo consignante.
- Levantar os consignados que já estão no pátio e perguntar à integradora/despachante como regularizá-los — a resolução não detalha essa transição.
Erros comuns
- Achar que o contrato de consignação em papel ou em PDF basta. Ele pode continuar existindo para as condições comerciais, mas não substitui o contrato eletrônico registrado no RENAVE.
- Fechar negócio com o consignado antes de o contrato eletrônico estar registrado e validado.
- Supor que o sistema de gestão da loja registra direto no RENAVE. O registro é da integradora autorizada; o sistema de gestão só se conecta a ela.
- Deixar o e-CNPJ vencer: o acesso ao RENAVE é bloqueado até a regularização.
- Esquecer que, no consignado, quem assina a ATPV-e é o proprietário — e perder o prazo de 30 dias.
- Devolver o carro ao dono "de boca", sem cancelar o contrato, sem NF-e de devolução e sem registrar a saída no RENAVE.
Como o CarHand ajuda
- Controla o veículo consignado no estoque: consignante vinculado ao cadastro, valor devido ao proprietário combinado como valor fixo ou percentual, e a conta a pagar do acerto com o consignante gerada na venda.
- Registra a desconsignação quando o dono retira o carro sem venda.
- No módulo RENAVE (adicional), envia a entrada e a saída dos veículos do estoque à integradora Renave Fácil com os dados do veículo, das partes e a chave da NF-e, e guarda a ATPV-e para download e envio ao comprador.
- Trabalha com a integradora autorizada Renave Fácil, onde fica o certificado digital da loja: o registro da consignação, a venda do consignado e a desconsignação são concluídos na plataforma dela, com os dados do veículo e do consignante já enviados pelo CarHand, sem redigitação.
- Gera o contrato comercial de consignação em PDF, que complementa o contrato eletrônico registrado no RENAVE.
- No módulo fiscal (adicional), a loja emite no próprio CarHand as NF-e de entrada em consignação, de venda e de devolução de consignação; a nota fica vinculada ao veículo e o módulo RENAVE usa a chave dela.
Detalhes em RENAVE no CarHand e controle de consignação de veículos.
Perguntas frequentes
A consignação de veículos passou a ser obrigatória no RENAVE?
Sim. Pela Resolução CONTRAN nº 1.026/2026, a consignação para venda integra a escrituração obrigatória e deve ser formalizada por contrato eletrônico registrado no RENAVE, sendo vedada a venda ou intermediação sem esse registro prévio (art. 20, § 1º).
O contrato de consignação em papel ou PDF ainda vale?
Para o RENAVE, não substitui o contrato eletrônico, que segue modelo padrão da SENATRAN e é assinado digitalmente pelo sistema de integração (art. 20, §§ 2º e 3º). Um contrato comercial à parte pode continuar existindo; confirme o uso dele com seu advogado.
Quem assina o contrato eletrônico de consignação?
A loja assina com certificado e-CNPJ. O dono do veículo assina com e-CNPJ, se for empresa, ou com assinatura eletrônica qualificada ou avançada, se for pessoa física (art. 20, § 2º).
O que acontece se o dono não assinar a ATPV-e do carro vendido?
Se o proprietário consignante não assinar a autorização de transferência em meio digital em 30 dias, ou cancelar o contrato, a venda é cancelada e a anotação no RENAVE é baixada (art. 20, § 7º).
Como devolver um veículo consignado ao dono sem venda?
O contrato é cancelado no RENAVE antes da assinatura da ATPV-e, a loja emite a NF-e de devolução de mercadoria em consignação, registra a saída no RENAVE e devolve a posse do veículo (art. 20, §§ 8º e 10).
O sistema de gestão da loja pode ser a integradora do RENAVE?
Não. O Anexo da resolução proíbe empresas que fornecem sistemas de gestão para lojas de veículos e concessionárias de atuar como integradoras. O sistema de gestão pode se conectar a uma integradora autorizada, que faz o registro.
Qual é o prazo para a loja se adequar?
A resolução deu 90 dias a partir da publicação no Diário Oficial, em 30/06/2026 (art. 33) — prazo que o setor tem contado até 28/09/2026. A SENATRAN pode prorrogá-lo por decisão fundamentada (art. 33, § 4º). Até 30/09/2026 não localizamos ato de prorrogação.
Fontes
Consultadas em 30/09/2026. Onde as fontes não confirmam um detalhe, o guia diz isso em vez de supor.
- Resolução CONTRAN nº 1.026, de 26 de junho de 2026 (DOU de 30/06/2026) — Ministério dos Transportes — Todas as regras citadas com artigo neste guia.
- Resolução CONTRAN nº 797, de 2 de setembro de 2020 — Ministério dos Transportes — Norma que instituiu o RENAVE (revogada pela 1.026/2026).
- Resolução CONTRAN nº 818, de 17 de março de 2021 — Ministério dos Transportes — Alteração da Resolução 797/2020 (revogada pela 1.026/2026).
- Fenauto — Nova resolução do CONTRAN torna o RENAVE obrigatório (03/07/2026) — Leitura do setor sobre consignação eletrônica e prazo de 90 dias.
- ANAUTOS — Contran publica Resolução nº 1.026/2026 (02/07/2026) — Leitura do setor sobre obrigatoriedade e integradoras.
- BNDV — Veículos consignados entrarão no RENAVE (24/07/2026) — Relato de que o contrato padrão da SENATRAN estava em criação e testes em julho/2026.
Conteúdo revisado em 30/09/2026.
